Cogestão de Pescas no Baixo Amazonas

Em resposta à ameaça sobre a pesca, comunidades de várzea da Amazônia estão desenvolvendo sistemas de gerenciamento locais que podem aumentar a captura sustentável e geração de renda em até cinco vezes.
Durante séculos, atividades de pesca na Amazônia serviram de base alimentar para comunidades de várzea e abasteceram os mercados locais.

O desenvolvimento de pescas comerciais nos anos de 1970 e 80, resultaram em conflitos sobre o acesso aos lagos das várzeas e desencadearam um processo de 25 anos, através do qual as comunidades de várzea ganharam o controle formal sobre os territórios comunitários, o direito de gerir a pesca local, e organizar acordos de comercialização locais.

O Cientista Sênior do Instituto Inovação da Terra, Toby McGrath, tem trabalhado com essas comunidades de várzea e outros parceiros locais desde o início deste processo. Através deste trabalho, o Projeto Várzea, envolvendo comunidades e organizações de várzea, agências governamentais, empresas e organizações não-governamentais, tem contribuído para o desenvolvimento de um mosaico regional de 41 Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAEs). Ou seja, territórios comunitários formais que podem fornecer de base para a gestão sustentável da pesca na várzea em escalas locais e regionais.

No nível local, trabalhamos com muitas dessas comunidades para desenvolver sistemas de gestão adaptativa para a pesca local. Na escala regional, nós trabalhamos com o Fórum de Várzea PAEs e sindicatos de pescadores locais para reforçar a capacidade de governança regional e representação nas áreas de várzea.

O desafio agora é aproveitar este potencial para desenvolver sistemas locais de gestão e políticas, regulamentos e arranjos institucionais que suportem uma estratégia regional de desenvolvimento de baixas emissões para a várzea amazônica integrando a agricultura, a pecuária, a gestão da pesca de várzea, florestas e outros recursos. Para este fim nós também fomentamos o desenvolvimento de parcerias comerciais equitativas entre organizações de pescadores locais e empresas de pesca para abrir acesso a mercados nacionais e globais que valorizem pescas geridas de forma sustentável.