Enfrentando o desmatamento na Amazônia peruana: um pacto de produção-proteção-inclusão


As florestas da Amazônia peruana contam com uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta.  Elas também são lares de povos indígenas, inclusive alguns ainda não contatados. Todavia, essas florestas estão sendo desmatadas e um ritmo acelerado.

Essa tendência subversiva pode mudar breve através de um novo acordo muito promissor. Este acordo não é uma “bala de prata” que irá resolver o desafio do desmatamento da Amazônia peruana da noite pro dia. Contudo, é um acordo que se implementado permitirá reduzir e eventualmente acabar com o desmatamento, e ao mesmo tempo aumentar a produção de alimentos e outros produtos.

Durante a 7ª Expoamazônia realizada na Região de San Martín (de 11 a 13 de agosto de 2017), foi anunciada a “Coalizão Público-Privada para o Desenvolvimento Rural de Baixa Emissão” para a Amazônia peruana. Esta iniciativa, lançada pelos governos regionais da Amazônia peruana, pede ao setor privado e às organizações da sociedade civil que colaborem com esses governos para desacelerar o desmatamento e aumentar a produção agrícola da região.

A Coalizão tem três objetivos principais. Primeiro, assegurar os direitos à terra e aos recursos naturais das comunidades rurais. Em segundo lugar, otimizar o uso sustentável de paisagens florestais com abordagens adaptadas à floresta amazônica e às florestas dos montes andinos. E finalmente, estabelecer condições propícias e gerar mudanças transformacionais necessárias para o desenvolvimento rural de baixa emissão, incluindo inovações tecnológicas, financeiras e de modelos comerciais.

A Coalizão foi lançada com o apoio formal de mais de 45 entidades, incluindo instituições públicas, empresas, associações de produtores e organizações da sociedade civil. Essas organizações ligadas aos setores agrícola e florestal se comprometem ao aumento da produtividade, reduzindo a pressão sobre as florestas. O aumento da produtividade em terras já convertidas é de alta prioridade, uma vez que a principal causa do desmatamento é a conversão de florestas para atividades agrícolas e pecuária extensiva caracterizadas por baixa produtividade e a diminuição da fertilidade do solo. Por sua vez, os agricultores amazônicos peruanos estão presos a um ciclo de desmatamento florestal, em que os solos degradados são substituídos por novas áreas através da conversão de florestas. Este ciclo perverso precisa ser revertido.

A Coalizão é uma oportunidade importante para que os territórios regionais amazônicos do Peru possam tornar-se “jurisdições sustentáveis” capazes de produzir produtos livres de desmatamento, atendendo assim uma crescente demanda de mercado. Caso seja bem sucedida, a iniciativa gerará riqueza e bem-estar para os habitantes da Amazônia peruana, e ao mesmo tempo reduzirá as emissões de GEE e assegurará que as florestas continuem a oferecer uma gama de serviços ecossistêmicos para a sociedade. Trata-se de posicionar a Amazônia peruana para participar mais ativamente da economia verde, atraindo investimentos em empreendimentos sustentáveis e vendendo produtos produzidos de forma sustentável.

Agora, começa o trabalho de verdade!

Para obter mais informações sobre a abordagem de proteção-produção no Peru, consulte:

  • Rumo a um Pacto de Proteção-Produção para o Peru: Elementos e Lições a partir da Experiência Global. (disponível em espanhol e inglês)
  • O Pacto de Proteção-Produção no Contexto Peruano. (disponível em espanhol e inglês)
  • Uma Estratégia Financeira para o Pacto de Proteção-Produção na Amazônia peruana. (disponível em inglês)