2019
dez

Enquanto as nações se distanciam sobre as mudanças climáticas, governadores da Amazônia buscam colaboração e parceria

MADRI – Mesmo que as manchetes considerem que os diálogos sobre clima em Madri tenham fracassado, estados no Brasil e em toda a Amazônia estão dando fortes sinais de que estão prontos para avançar na proteção das florestas e no desenvolvimento sustentável.

O vice-governador do Mato Grosso, Otaviano Pivetta, discursa no encontro de autoridades e representantes do setor privado em paralelo à COP25 em Madri. (11 de dezembro de 2019).

A mensagem deles foi transmitida em duas reuniões realizadas em paralelo ao encontro anual da  “Conferência das Partes” da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, ou COP25, onde autoridades que representam quase metade da floresta amazônica pediram maior colaboração e investimento do setor privado.

“O mundo todo está olhando para o centro do Brasil”, disse Otaviano Pivetta, vice-governador do estado brasileiro do Mato Grosso, durante um encontro entre autoridades brasileiras e representantes do setor privado organizado em 11 de dezembro pelo Earth Innovation Institute (EII). Pivetta disse que, com a infraestrutura apropriada, o Mato Grosso pode “aumentar a produtividade em terras previamente degradadas” enquanto protege os 60% do território do estado atualmente recobertos por vegetação nativa. “Nós não permitiremos desmatamentos ilegais em nosso território”, afirmou ele.

A reunião aconteceu após uma mesa redonda, no dia 9 de dezembro, com governadores e autoridades do Peru e da Colômbia, além do Brasil, focada na iniciativa dos Campeões das Florestas Tropicais (Tropical Forest Champions) da EII, que visa facilitar maiores investimentos em regiões que estão avançando na proteção florestal.

O estado do Mato Grosso é uma das duas únicas jurisdições em todo o mundo que já receberam fundos de remuneração por desempenho pela implementação bem-sucedida de programas de REDD+ – a outra é o estado do Acre, no noroeste do Brasil. REDD, ou Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, refere-se à estratégia apoiada pela ONU para ajudar a combater as mudanças climáticas.  Autoridades dos governos dos dois estados usaram a reunião para detalhar suas políticas para diminuir o desmatamento, apoiando o crescimento econômico e protegendo os direitos indígenas.

As declarações contrastam com o que está sendo amplamente descrito como um fracasso das nações em entrar em acordo sobre uma série de questões, incluindo a regulamentação dos mercados internacionais de carbono, conforme descrito no Artigo 6 do Acordo Climático de Paris. No entanto, à medida que as nações se distanciam sobre essas e outras questões, os governos da Amazônia buscam maior colaboração e parceria.

“O Acre quer mostrar ao mundo que nós somos capazes de preservar o que temos de melhor, nossas florestas”, disse Gladson Cameli, governador do estado do Acre. “Nós já temos 2 milhões de hectares de terras desmatadas e não precisamos derrubar mais nenhuma árvore.”

O governador do Acre, Gladson Camelli, descreve vários dos avanços do Estado na proteção das florestas e no desenvolvimento sustentável. (11 de dezembro de 2019.)

Ele acrescentou, porém, que o Acre é o lar de 900.000 pessoas que “trabalham duro e querem oportunidades… E é minha obrigação falar por eles.” Ele continuou: “A palavra-chave é sustentabilidade, mas ela precisa vir acompanhada da criação de empregos.”

Até o momento, apenas 3% dos fundos internacionais prometidos para apoiar esforços de redução de desmatamento nos trópicos chegaram às jurisdições. Esta falta de capital levou os governadores da região amazônica a buscar maiores oportunidades de investimentos junto ao setor privado.

“O mercado está percebendo que ele precisa se aproximar dos governos e dos produtores”, disse Daan Wensing, diretor de paisagens globais do IDH, uma iniciativa de comércio sustentável que ajuda a facilitar parcerias público-privadas em apoio às metas de sustentabilidade.

Björn Rask Thomsen, CEO da Denofa – principal fábrica de processamento de soja para ração animal da Escandinávia – sugeriu que essas parcerias precisam ser construídas com base na confiança e no respeito mútuos entre produtores e compradores – entre regiões produtoras e consumidoras.

O diretor-executivo da EII, Dan Nepstad, ressaltou o crescente número de empresas, incluindo a varejista online Amazon, que têm anunciado suas intenções de se tornarem neutras em carbono, uma tendência que segundo ele continuará crescendo no futuro próximo. “As pessoas nesta sala são essenciais para traduzir o crescente compromisso do setor privado com a neutralidade climática em fluxos de financiamento para o Acre, o Mato Grosso e outros governos regionais que estão se esforçando para alcançar o desenvolvimento de baixo carbono.”

You are donating to : Greennature Foundation

How much would you like to donate?
$10 $20 $30
Would you like to make regular donations? I would like to make donation(s)
How many times would you like this to recur? (including this payment) *
Name *
Last Name *
Email *
Phone
Address
Additional Note
paypalstripe
Loading...