2020
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Mulheres empreendedoras compartilham experiências sobre desenvolvimento de baixas emissões em workshop no Acre

Sara Hurtado é a fundadora da Peruna, uma empresa com sede em Madre de Dios, no Peru, que vende produtos comestíveis feitos a partir de castanha do pará colhida localmente. Depois de três décadas lutando para expandir seus negócios, a empreendedora pioneira finalmente conseguiu, recentemente, a certificação necessária para comercializar seus produtos como sustentáveis.

Hurtado foi uma das quase quarenta mulheres empresárias que compartilharam suas experiências de trabalho no setor de baixas emissões rurais durante um evento de dois dias no estado do Acre, na semana passada.

“A persistência dessa empresária é notável”, disse Elsa Mendoza, que lidera o programa da EII no Acre e ajudou a organizar o evento. “Ela começou com uma castanheira, vendendo a matéria-prima com lucros escassos, antes de lançar uma linha de produtos alimentícios feitos com castanhas cultivadas e colhidas em sua propriedade.”

Elsa Mendoza fala em um evento para mulheres empresárias em Rio Branco, Brasil. (12 de março de 2020)

O EII fez uma parcerias com a Companhia de Desenvolvimento de Serviços Ambientais (CDSA) do Acre, que trabalha para expandir o acesso de produtos sustentáveis ao mercado, e com a Secretaria de Estado da Indústria, Ciência e Tecnologia (SEICT) para organizar o evento, que aconteceu nos dias 12 e 13 de março na cidade de Rio Branco.

Trinta e cinco empreendedoras rurais do Peru, da Bolívia e do Brasil se reuniram no encontro de dois dias. Para os participantes, foi uma chance de entender melhor o papel das mulheres em suas comunidades, promovendo o desenvolvimento rural de baixa emissão (LED-R, da sigla em inglês) e mitigando os impactos das mudanças climáticas.

“Queríamos mostrar o valor das empreendedoras rurais, que respeitam o meio ambiente, não desmatam e não fazem queimadas”, explicou Mendoza. “Eles se preocupam com o futuro, com a próxima geração.”

Este foi o segundo workshop anual, após um evento similar que aconteceu no ano passado em Madre de Dios, no Peru.

Em todo o mundo, as mulheres estão entre as mais vulneráveis ​​aos impactos das mudanças climáticas, que vão desde questões do deslocamento até a diminuição de recursos e o acesso à informação. Mas as mulheres também desempenham um papel enorme na manutenção do aquecimento global abaixo de 2°C. As Nações Unidas identificaram a Equidade de Gênero entre seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que, juntos, definem os caminhos para evitar o aquecimento global de 2°C antes de 2030.

“Nosso objetivo é estimular a troca de ideias entre os participantes e o público, a fim de informar políticas sobre agricultura, uso da terra e outras questões ligadas ao desenvolvimento sustentável”, acrescentou Mendoza.

José Gondim, diretor-presidente da CDSA, disse que essas trocas criam oportunidades para identificar ativos para o crescimento sustentável e para integrar-se às economias locais, incluindo as dos vizinhos Peru e Bolívia.

“Eventos como este são importantes para entendermos a produtividade das mulheres produtoras”, disse ele. “As mulheres têm a maior carga de trabalho e enfrentam as maiores dificuldades para entrar no mercado de trabalho, especialmente como empresárias e empreendedoras.”

Nas áreas rurais do Brasil, as mulheres contribuem com aproximadamente 42% da renda doméstica, de acordo com dados do censo oficial.

Os palestrantes compartilharam suas experiências trabalhando na produção agrícola de baixa emissão, bem como em produtos não-madeireiros, artesanato e ecoturismo. Eles também pediram aos seus governos nacionais que prestem maior apoio, inclusive com melhorias na tecnologia para fortalecer o setor e para angariar ajuda internacional na expansão do acesso de seus produtos ao mercado.

“É a primeira vez que participo de um evento como este”, disse Lirio Lima, membro de uma associação de produtores sustentáveis ​​da Bolívia, que disse ter aprendido com os outros palestrantes “sobre os muitos tipos de iniciativas que valorizam os produtos florestais e apoiam as mulheres que trabalham no setor”.

Outra participante, Geovana Brasil, integra a Associação de Camponesas, com sede em Brasília e cujos membros são mulheres agricultoras rurais como ela. “Precisamos continuar com este tipo de evento”, disse ela, “para aprender com as experiências de outras mulheres e entender como podemos continuar melhorando nossos produtos e negócios”.

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