2021
mar

A pressão do mercado da soja para salvar a Amazônia enfraqueceu em 2021

A oferta de soja nos EUA está em queda, com as vendas caindo e as previsões do USDA de um estoque recorde de baixa mais prejudicado pelo recente congelamento que cobriu grande parte do Texas e do centro-oeste. Isso deixa o Brasil como o único ator significativo no mercado global de soja nesse momento, com a safra futura brasileira sendo negociada até 2022 e filas de navios para carregamento de soja esperando para embarque para portos no exterior.

O que isso tem a ver com as florestas? Isso sugere que a demanda por soja produzida de forma mais sustentável – ou soja com “desmatamento zero” – é mais fácil de ignorar.

“O Brasil de 2021 não é o Brasil de 2019”, diz o analista sênior da EII João Shimada, observando que no ano passado o maior estado agrícola do Brasil, Mato Grosso, registrou um crescimento de 12% no ano, “uma taxa de crescimento nunca vista nem na China.”

Estimativas da oferta de soja nos EUA por ano fornecidas pelo USDA

Esse crescimento econômico gerou um ar de otimismo e oportunidades no estado, apesar da pandemia COVID 19, e veio na esteira de uma expansão vertiginosamente rápida na produção de soja. “Nos últimos 10 anos, o Brasil aumentou sua produção de soja de 75 milhões de toneladas para mais de 130 milhões de toneladas para 2020, ultrapassando os EUA e se tornando o maior produtor mundial”, observa o Financial Times.

O boom no setor agrícola do Brasil significa que as ameaças da comunidade internacional – incluindo a União Europeia e o Reino Unido, ambos agora considerando políticas de “desmatamento importado” – de restringir o acesso ao mercado, a menos que o Brasil reverta o curso do desmatamento na Amazônia terão muito menor peso.

“O preço atual da soja é o mais alto em 30-40 anos. O preço do milho atingiu níveis recordes”, observa Shimada. “Se você disser a um agricultor brasileiro para investir em sustentabilidade em troca de acesso aos mercados europeus ou irá enfrentar restrições, dada esta realidade atual essa proposta não fará sentido.”

Na verdade, a mensagem para os agricultores do Brasil é que, apesar do aumento do desmatamento – que atingiu seu ponto mais alto nesta década em 2020 – o mundo está faminto por soja, com forte demanda de mercados em toda a África e Ásia, incluindo a China, onde os agricultores estão reconstruindo seus rebanhos após um surto de gripe suína.

Bjørn Rask Thomsen dirige as operações europeias da EII. O ex-chefe da Denofa, principal importadora de soja da Noruega, ele concorda que, no curto a médio prazo, “as chances de influenciar o Brasil não virão tanto da demanda por commodities”.

No longo prazo, se e quando os preços começarem a cair, esse quadro pode mudar. Por enquanto, no entanto, o combate ao desmatamento na Amazônia terá que vir por meio do que Thomsen chama de “grande política”, o que significa diplomacia e diálogo. “É aqui que os EUA e a Europa desempenham papéis importantes, principalmente se permanecermos juntos.”

Há sinais promissores vindo de Washington na frente diplomática. Sob o comando do recém-nomeado encarregado climático dos EUA, John Kerry, a equipe de Biden parece estar mantendo a porta aberta para a discussão com o Brasil sobre soluções para o desmatamento na Amazônia e o clima. Os dois lados se comprometeram com as discussões em andamento até a COP 26 em novembro, onde os líderes mundiais tentarão formalizar propostas e finalizar acordos sobre questões-chave relacionadas às reduções das emissões globais, incluindo aquelas decorrentes da redução do desmatamento.

Um agricultor brasileiro trabalhando em campos de soja. O Brasil é agora o fornecedor líder mundial de soja, com demanda crescendo na Ásia e na África.

Dado que a maioria dos agricultores do Brasil quer ver acordos comerciais fortes em vigor, apesar das tensões internacionais sobre o desmatamento, o passo mais importante que os EUA, a UE e o Reino Unido podem dar agora seria de reconhecer o Código Florestal do Brasil como a base para futuros acordos.

Aprovado em 2012, o Código Florestal revisado, está entre as leis ambientais mais rigorosas do mundo relativas à agropecuária, estabelece a quantidade de floresta que deve ser preservada em uma determinada propriedade. As porcentagens variam de 80% para fazendas na Amazônia a 20% no Cerrado, a formação savânica gigante que concentra 60% da produção de soja no Brasil.

A conservação dessas florestas – que compreendem a maior parte da floresta remanescente fora das áreas protegidas – é essencial se quisermos evitar o aquecimento global além do limite de 2°C estabelecido pelo acordo de Paris.

Embora apoiado por líderes do setor agrícola no Brasil, no entanto, o Código Florestal ainda não foi totalmente implementado. Encontrar maneiras de colaborar na implementação dele – uma tarefa monumental que envolve mais de 700.000 propriedades somente na região amazônica – permitiria um monitoramento e controle mais rigorosos das atividades ilegais na região amazônica. Parte dessa implementação também deve envolver recompensar a conservação florestal a nível de propriedade em conformidade com o Código Florestal por meio do mercado voluntário de carbono florestal.

Juntos, esses passos poderiam fornecer a musculatura de que o Brasil precisa para proteger suas florestas enquanto continua a expandir a produção em um mundo cada vez mais faminto.

“Depois de 10 anos de promessas do governo e do setor privado, de assinar compromissos com a linha de chegada em 2020, onde quase todos falharam”, observa Shimada. “Ninguém aqui no Brasil acredita mais em compromissos e eles não vão responder às pressões. Não é assim: você tem que falar a linguagem dos negócios”.

O que significa que você deve tratar os agricultores como parceiros.

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