Earth Innovation e Daniel Nepstad ganha destaque em reportagem do New York Times
O New York Times publicou recentemente um artigo, escrito por David Gelles, que destaca o trabalho do Earth Innovation Institute na prevenção e controle de incêndios florestais na Amazônia e parte da trajetória do diretor executivo da organização, Dan Nepstad, que atua na região há mais de três décadas. O artigo intitulado “Stopping the Greatest Threat to the Amazon Forest, One Fire at a Time”, também foi reproduzido na Folha de São Paulo com o título “Cientista retorna a Amazônia para conter queimadas”.
A matéria ressalta a importância do controle de incêndios florestais para transformar a Amazônia em uma das maiores soluções naturais para o clima global. Esse tema é aprofundado no estudo do EII “A grande solução climática da floresta amazônica precisa do mercado de carbono”, que explica como a redução de queimadas e a manutenção da floresta em pé ampliam seu papel como sumidouro de carbono.
O trabalho destacado pelo NYT é fruto de parcerias sólidas. A principal é com a Aliança da Terra, responsável pela prevenção de incêndios florestais em cinco municípios — quatro no Brasil e um no Peru, dentro do escopo de projetos do EII. Em Paragominas (PA), foco da reportagem, o Instituto também atua em colaboração com a Produzindo Certo, o Sindicato dos Produtores Rurais, o CIRAD, o governo municipal e o Fórum das Comunidades Rurais. Cada parceiro desempenha papel fundamental no desenho e na implementação do programa Municípios Inovadores que usa a metodologia da Gestão Integrada da Paisagem (GIP), seguindo quatro componentes estratégicos: gestão integrada do fogo, restauração florestal, produção sustentável e governança.
A iniciativa de Paragominas está inserida no Sistema Jurisdicional de REDD+ do Estado do Pará. Nos últimos dois anos, o EII tem trabalhado junto ao setor agropecuário para desenvolver um sistema de incentivos florestais financiado pela venda de créditos de JREDD+. A prevenção de incêndios emergiu como prioridade nesses diálogos, e o município está testando um modelo que começa pelo fogo,(já em andamento através do CIRAD, do Sindicato e do Fórum), melhoria do planejamento do uso da terra e proteção e restauração florestal a longo prazo.
Modelos semelhantes estão sendo implementados em outros municípios da Amazônia. Em Querência (MT), o projeto é conduzido em parceria com o Instituto PCI. Com o apoio recente da Fundação Moore, iniciativas integradas de gestão territorial/paisagem também estão em expansão para Feijó (AC), Marianópolis (TO) e Coronel Portillo, em Ucayali no Peru.
A reportagem do NYT incorreu em um equívoco ao afirmar/sugerir que Maxiely Scaramussa Bergamin, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas, defende a substituição da pecuária. Na realidade, ela apoia a intensificação sustentável da pecuária e a diversificação produtiva como caminhos para aumento de renda e maior resiliência para as comunidades rurais - e não a substituição, ou, o fim da atividade, como pode sugerir o artigo.
O trabalho do EII na Amazônia se apoia em mais de 30 anos de atuação contínua na região. Desde a década de 1990, pesquisas inovadoras sobre secas, fogo e ecologia florestal, alianças com agricultores e pecuaristas e a colaboração com governos nacionais, estaduais e municipais ajudaram a moldar as políticas ambientais de diversos estados brasileiros, governos regionais peruanos e departamentos colombianos. O esforço atual contra incêndios representa o passo mais recente desse compromisso de longo prazo: ampliar soluções integradas que fortaleçam parceiros locais, apoie a economia rural e mantenha a Amazônia em pé.